Um hospital é onde você recupera toda sua humildade…

Hoje quando deu meia noite chamei minha mãe, mas nem precisou. Ela já estava se levantando da cama 4 minutos antes do horário combinado pra se trocar e irmos para o hospital.

Eu estava aqui, no blog. Escrevendo… contando pra vocês minhas maluquices. Tinha aproveitado e impresso a grade curricular do meu curso de Direito novamente e fiquei grifando as matérias que já tinha feito e esperando ansiosamente pelo quinto semestre e pensando nas matérias que vou conseguir fazer nas férias.

Nisso…. minha mãe estava precisando de ajuda para se vestir e eu fui ajudá-la porque a perna dela está machucada por causa da queda e eu fui ajudar ela a se vestir.

Partimos pro hospital.

Chegando lá tinha pouca gente na madrugada esperando para ser atendido, mas tinha uma galera na recepção e umas pessoas na frente do prédio e eu parei ali uns minutinhos pra acender um cigarro… e minha mãe sentou num dos banquinhos…

Uma moça falava ao telefone, chorando… contando sobre o estado de saúde de uma senhora da família dela…. que piorava… ela não estava bem. E a moça estava muito triste.

Sabe, a gente vai no hospital e quer acabar com a dor, com o sofrimento…. e queremos ser atendidos logo… mal pensamos nos médicos que estão ali tentando conter todos os prejuízos, os males, as adversidades que todos trazem consigo… num ambiente geralmente lotado.

E quando eu vou no hospital com a mamãe eu normalmente olho pras senhorinhas e senhorzinhos de uns 90 e poucos anos e torço pra minha mãe chegar nessa idade também. Mas eu dou risada por que provavelmente quando ela chegar lá será que eu vou estar trocando fraldas dela? hahahahahahah

Sei lá viu…. eu chego lá e os assuntos são muito engraçados… é fralda, é a pessoa que não quer comer, aí uma porrada de remédio… o estado de saúde que AGORA EU JÁ SEI DIZER: FRAGILIZADO.

Minha mãe não é velha não! Minha mãe está FRÁGIL. ❤

Porque frágil ela nunca foi. Acho que isso no começo, quando ela começou a ficar senhorinha ela também deve ter ficado meio com raiva ou não aceitado o fato muito bem…. imagina… sempre forte, fazendo as coisas, indo e vindo… carregando… subindo… e agora ela está … frágil.

Custa pra gente entender E ACEITAR a realidade das coisas.

Que esse é um caminho sem volta. Porque eu imaginava minha mãe ficando velhinha mas não imaginava as consequências disso… E ir pro hospital é uma puta lição de humildade.

Eu fiquei me perguntando toda hora: “Estou fazendo o meu melhor?”

Pra tudo. Pra botar minha mãe no carro. Pra tirar minha mãe do carro. Pra levar ela pra fazer o exame. Pra preencher a ficha. Pra ela conversar com o moço que ia fazer o exame dela (ela tinha que tirar o sutiã e eu fiz piada), sei lá sabe… porque a gente realmente não sabe a duração dos momentos ao lado das pessoas que a gente mais ama e que nos mais amam também.

Esse assunto é super delicado pra mim, tanto é que quando começo a falar dele eu tenho a cada um segundo pensamentos negativos de que algo trágico irá acontecer mas aí eu me breco respiro ou fumo um cigarro e penso em outra coisa, normalmente procuro trabalhar o sentimento.

Tipo… você ta pouco se importando se você tem que pagar 300, ou 1000 reais pra fazer um exame…. você só quer que o resultado saia assim: “Tá tudo bem”.

É foda sabe…. você coloca em perspectivas coisas que antes você não colocava… do tipo “estou fazendo o meu melhor?” ou “só quero que a gente faça todos esses exames e a gente descubra que é uma coisa fácil de se resolver, que tudo vai ficar bem”.

Acho que hoje eu considero que minha vida está no ápice como eu nunca imaginei, como eu sempre sonhei. Eu tenho minha mãe que está sempre do meu lado dentro das limitações dela, moro com ela… temos nosso cachorrinho, nossa casa é pura paz… nós não brigamos nunca… aquelas brigas todas de adolescência ficaram pra trás.

Hoje em dia eu não tenho mais meu pai. Ele morreu em 2007. E a vida ficou mais tranquila sem ele. Porque ele causava demais. Eu amava meu pai. Mas de vez em quando era foda. E ele em si era foda. Ou seja, desde que ele morreu eu fiquei muito triste na época, desbaratinei, fiquei bem loka na época, mas passou. E quando passou e eu comecei a ver o lado positivo dele não estar mais aqui as coisas foram se acertando.

Hoje em dia é o fechamento eu minha mãe minha mãe e eu.

Minha irmã é uma louca… não dá pra contar com ela.

Mas sabe… eu fico pensando na fragilidade do momento. Em como as coisas deixam de ser assim tão relevantes do ponto de vista material e passam a ser mais importantes no nível da essência da coisa. Em estar com a pessoa mais um dia. Em ter uma lembrança com ela. Em fazer ela feliz. Em cuidar dela. Sabe? Acho que isso é amor.

Eu tive um namorado com 17 anos que foi o primeiro amor da minha vida. E acho que pela segunda vez eu encontro o real significado da palavra amor.

Sei lá… porque é uma puta entrega. é uma puta dedicação. É você cuidar, se preocupar, falar com a pessoa, querer brigar mas saber que não pode porque ela pode ficar triste e as coisas podem piorar.

Mas no final das contas, ao contrário do meu pai, que morreu muito rápido e não deu nem pra se despedir dele nem pra processar a ideia direito nem nada pelo menos agora com minha mãe eu estou tendo uma experiência de cuidar dela atéééééé onde Deus me permitir.

E isso não é uma benção? Poder cuidar dela? Estar ao lado dela? Ela saber que chegou ao fim da vida ou está na fase final e tem com quem contar?

Eu faria isso por ela independente de qualquer coisa. Não é só porque moro com ela.

Sei lá né meo! Ela é MINHA MÃE!

Enfim… cada um com sua consciência.

Mas eu fico grata que Deus me deu essa missão. Essa aflição de não saber mais quantos dias eu vou ter ao lado dela. Que Deus queira que sejam muitos. Cento e poucos anos E SEM MALHAR NEM TOMAR SUCO VERDE.

Veínha é foda.

E eu juro. Tentei de tudo pra bloquear esses pensamentos negativos de medo de perdê-la. Bebi altas brejas, fumei maconha atéééé o cu fazer bico… old kush, dryzinho, manga rosa, prensado, pretinho, pakistanês, … caralho… eu tava virando um vegetal. Pra aliviar a consciência de que minha mãe poderia estar partindo.

Só que quanto mais eu tentava aplacar esse pensamento com drogas eu criava mais pensamentos negativos. Aí pensava nela partindo, eu ficando sem faculdade, sem casa pra morar e os caralho.

Nisso dei um basta fiquei careta e voltei a encarar as coisas de cara limpa e aceitando um dia após o outro e dentro dos planos de Deus.

E é isso… a aventura da baladeira de hoje foi fazer o primeiro exame dela rumo ao descobrimento dessa doença maledeta que a acomete.

E eu tô do lado dela. E eu tenho orgulho de dizer isso.

Vamos passar por tudo juntas. Hoje e sempre. Até o fim de nossas vidas.

E relaxa mãe, depois eu me viro. Já tô bem grandinha. 😉

Só quero dizer que te amo. TE AMO. sempre. Daqui até a eternidade.

Eu falava que faria tudo pra dar a vida á você mas sei que isso não me cabe. Então faço hoje em dia o meu melhor. O que eu puder fazer ao meu alcance pra te fazer uma vida melhor eu farei.

te amo.

beijos,

Maíra.

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